Tudo começou 8 meses atrás

Como começou essa jornada e o que eu não esperava ver e viver

Vi tantas vidas em 8 meses

Dia 4 de junho eu completei oito meses morando no Canadá e parecia que já vivi várias vidas aqui. Na verdade, cada mês parece uma vida diferente com minhas aulas mudando, mudanças no trabalho, questões pessoais aqui e à distância…

Até chegar aqui, foram 10 anos de sonho e planos, e depois 9 meses de preparação para a mudança. Toda semana, vou compartilhar com você sobre essa experiência: as coisas boas, as ruinas e as que são um pouco dos dois.

Por enquanto, vou dar um grande resumo do que aconteceu até agora nos últimos 8 meses e como cheguei aqui.

A chegada

Os primeiros dois ou três meses foram de choque e maravilha. Tudo era novo, diferente e (a maioria) empolgante. Para mim, a chegada foi intensa. E essa é a palavra que eu mais vou usar aqui porque tudo aqui bate cinco vezes mais forte, seja pelo idioma, burocracia, contexto. Tudo é em muito mais do que o normal.

Foram semanas de “resolver coisas”: abrir conta no banco, comprar coisas de casa (desde papel higiênico e cotonetes até panelas, copos, pratos…) e ir atrás de coisas que nem sabia que precisava (um tapete para a entrada do apartamento para a neve e sal da rua não estragar o piso).

Com o começo das aulas e a busca por um trabalho, a vida real começou:

Meu dia começava por voltas das 8h, trabalhando para minha empresa no Brasil.

Aulas do college das 12:30 às 17:00

Aulas de francês das 17:30 às 22:15.

Sim, era puxado. 🫠

Foram dois meses assim e em dezembro eu terminei a aula de francês e decidi focar na busca por um trabalho por motivos de contas a pagar. Consegui meu primeiro emprego e logo em seguida, saí e consegui o segundo.

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Começou de verdade

O segundo emprego foi o que mais durou, apenas pelo meu desejo de ter algo certo e consistente (que nem foi tão consistente assim porque meus horários eram uma loucura).

Eu fui entendendo aos poucos que uma das coisas que deixam imigrantes mais pirados e ansiosos nesse processo todo é a busca por um trabalho. Isso vai ser assunto de muitas conversas aqui, pode ter certeza.

Eu fiquei cerca de seis meses lá e eu voltava pra casa todo dia pensando que eu poderia fazer mais e melhor. Mas naquele momento, eu só precisava fazer ALGO, e isso era suficiente.

O college tem sido uma experiência diferente do que eu imaginei e até que bem divertida. Tive ótimos professores que ajudaram muito a ver as diferenças entre o mercado aqui e no Brasil e tenho certeza que isso vai fazer diferença para mim nos próximos meses.

Voltar a estudar é voltar a ter um contexto com pessoas que você vê e interage todo dia – é o ambiente ideal para você tentar fazer amizades e contatos. Mesmo se você faça todo esse processo de morar fora com alguém, família, parceires etc, uma coisa é sempre verdade: é um processo muito solitário.

Enquanto tantas coisas acontecem nessa “nova vida”, ainda tenho pessoas, relacionamentos, compromissos e coisas no Brasil que também tinham suas demandas e expectativas e por um tempo parecia que eu estava equilibrando duas vidas distintas. Foi apenas no último mês que eu entendi que não é bem assim.

A minha mudança para o Canadá desencadeou uma série de coisas e mudanças; algumas dentro do meu controle e vontade e (várias) outras não. Isso afetou mais pessoas e de mais jeitos do que eu imaginava e teve um peso maior e mais complexo do que eu esperava.

Intenso, né? Não é só brincar na neve, mostrar como o poder de compra é diferente e ver ursos na floresta. Imigrar é um processo longo e intenso e eu espero que você siga comigo aqui para saber mais sobre o que não contam sobre morar fora.

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